16 fevereiro 2017

Pretérito Perfeito | Prólogo


Depois
Eu poderia beber até meu sangue se transformar em álcool, porque era basicamente como todo mundo resolvia seus problemas: deixando a sanidade de lado. Mas eu estava cansado de tomar porres e tinha consciência de que resolver casos do coração ia mais além do que algumas doses de whisky furtadas do Davey Wayne’s. O que quero dizer é que fazer as coisas do jeito certo é mais complicado do que simplesmente ignorar o problema.
Mas eu não quero e não posso ignorar o problema, porque isso significa ignorar a ela e a minha cota de babaquice já havia, há muito tempo, perdido o prazo de validade. E estava tudo bem perder o prazo de uma conta, ou de alguma comida enlatada, mas eu não podia perdê-la. O engraçado, no entanto, é que só constatei esse fato depois de perceber que era isso que estava acontecendo. 
Pior, que já aconteceu.
Percebi tarde demais que lutar em um jogo perdido é tão estúpido quanto negar, agora, que sempre estive mergulhado nele. Que sempre estive em uma linha tênue entre paixão e magoa. Que sempre fora ela, desde o instante em que apareceu, que não mediu esforços para fazer de mim um tolo apaixonado.
Gabrela citou em algum momento que Shakeaspere disse que todos os caminhos estão errados quando você não sabe aonde quer chegar. E quer saber? Ele estava estupidamente certo: andei por caminhos errados a minha vida toda e não é isso que quero continuar fazendo.
Eu sei onde quero chegar agora.